Redes sociais

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É difícil se desvincular das redes sociais. Elas trazem benefícios, mas estimulam que as pessoas apresentem falsas personalidades. No limite, qual o resultado de tamanho investimento de tempo e energia em redes sociais?

 

Parece ser um paradoxo: as redes sociais se tornam importantes com o pretexto de aproximar as pessoas, estimular encontros, reencontrar velhos amigos, ou seja, sociabilidade. O resultado observado é outro: muitas vezes as pessoas dão preferência aos meios virtuais e, quando há encontros, muitas atitudes parecem falsas, visivelmente manipulada para uma foto que expresse valores com relação à quem posta. As redes sociais viram um grande mercado para cada um vender uma aparência mais interessante que o outro, chegando ao cúmulo de criarem aplicativos para avaliação por meio de “notas” de relacionamentos.

Freud, em um texto nomeado “O mal-estar na civilização” , afirma que vivem em civilização garantiu benefícios de sobrevivência e desenvolvimentos à humanidade; os relacionamentos também são um das principais dificuldades que humanidade enfrenta consigo mesma.

No post “Geração Y“, discuto como as redes sociais influenciam na auto-imagem dos jovens atualmente, mas as críticas podem ser estendidas a outras características das redes.

Em um vídeo nomeado “A inovação da solidão” (The innovation of loneliness) os autores comparam nossos meios sociais com os de macacos, com as devidas diferenças. Algo que se assemelha é o número de pessoas que alguém pode conhecer intimamente que é de cerca de 150 pessoas e, apesar de a individualidade ser exaltada na sociedade atual, os seres humanos “enlouqueceriam”  sozinhos. A sociedade avalia as pessoas por sua carreira, saúde, imagem e consumismo e as pessoas, por sua vez, de fato aceitam essas cobranças já que visam corresponder a essas expectativas, mesmo que, com isso, afastem-se de seus amigos e familiares.

As vantagens das redes sociais seriam: 1. Podemos direcionar nossa atenção para onde quisermos; 2. Que sempre seremos ouvidos; 3. Que nunca teremos que ficar sozinhos; essas supostas vantagens mudam nossos pensamentos, pois nos faz acreditar que podemos compartilhar tudo o que vivemos “em tempo real”. Isso faz pensar que não ficaremos sozinhos, mas “se não formos capazes de ficarmos sozinhos, nós apenas vamos aprender como ser solitários”.

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About the Author:

Karen D. M. Ferreira é psicóloga clínica, com pós-graduação em Sócio-Psicologia, mestrado em Educação e doutoranda em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano. Atualmente também colabora com pesquisas do Laboratório de Estudos Sobre o Preconceito do Instituto de Psicologia da USP, coordenado pelo profº José Leon Crochík.